Em fase final de estudos, a molécula da Eli Lilly registrou perdas de peso recordes. Entenda o que é a retatrutida, como funciona, como se compara à semaglutida e à tirzepatida e quais alternativas já estão disponíveis.
A corrida por medicamentos contra a obesidade ganhou um novo protagonista. A retatrutida, molécula em investigação desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, tem chamado atenção por resultados de perda de peso que, em alguns estudos, se aproximam dos obtidos por cirurgia bariátrica. Apesar do entusiasmo, ela ainda não está aprovada por nenhuma agência reguladora e não pode ser comprada em farmácias.
Nesta reportagem, reunimos o que já se sabe sobre a retatrutida: sua origem, o mecanismo de ação inédito que combina três hormônios, os números dos estudos clínicos, a comparação com as moléculas já disponíveis no Brasil — como a semaglutida e a tirzepatida — e a previsão realista de quando ela pode chegar ao mercado nacional.
A retatrutida é uma molécula em investigação clínica (código LY3437943) estudada para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Ela é classificada como um agonista triplo de receptores hormonais, o que a diferencia das gerações anteriores de medicamentos da mesma classe.
Vale o alerta desde o início: a retatrutida ainda não tem registro na Anvisa nem na FDA. É uma substância em fase final de pesquisa, sem indicação terapêutica liberada e sem venda autorizada.
A retatrutida foi desenvolvida pela Eli Lilly and Company, a mesma fabricante do Mounjaro. Ela representa o passo seguinte na evolução da classe das incretinas: enquanto os medicamentos anteriores atuam em um ou dois hormônios, a retatrutida foi desenhada para agir em três simultaneamente — sendo a primeira molécula com esse perfil a alcançar a Fase 3.
A retatrutida imita a ação de três hormônios que regulam apetite, glicemia e gasto energético:
Para entender o contexto dessa classe de remédios, vale conhecer toda a categoria de medicamentos emagrecedores disponíveis na Panvel.
Nos estudos, a retatrutida é avaliada principalmente para o tratamento da obesidade, o manejo do diabetes tipo 2 e complicações associadas ao excesso de peso, como a osteoartrite de joelho. Como ainda está em pesquisa, não existe indicação aprovada — qualquer uso ocorre apenas dentro de protocolos clínicos autorizados.
A retatrutida está em Fase 3, no programa TRIUMPH da Eli Lilly. No estudo TRIUMPH-4, com 68 semanas em adultos com obesidade e osteoartrite de joelho, os resultados foram:
A Eli Lilly informou que outros sete estudos de Fase 3 em obesidade e diabetes tipo 2 têm conclusão prevista para 2026, o que vai detalhar a segurança de longo prazo da molécula.
A grande diferença entre essas moléculas está no número de receptores em que atuam — e isso ajuda a explicar a escalada de eficácia observada ao longo das gerações:
Em eficácia de perda de peso, a ordem é: retatrutida > tirzepatida > semaglutida > liraglutida. Mas em segurança consolidada e disponibilidade, a lógica se inverte: a liraglutida e a semaglutida têm o histórico clínico mais longo e o maior volume de dados de longo prazo, enquanto a retatrutida ainda não concluiu sua avaliação. Maior eficácia em estudo não significa maior segurança comprovada — e a escolha do tratamento é sempre individual e médica.
Como a retatrutida ainda não está à venda, há alternativas da mesma classe já aprovadas pela Anvisa. A semaglutida está no Ozempic (diabetes tipo 2) e no Wegovy (controle de peso); a tirzepatida, o agonista duplo mais próximo da retatrutida, está no Mounjaro. Para quem trata diabetes, vale conhecer também a categoria completa de medicamentos para diabetes.
Os efeitos mais relatados são gastrointestinais — náuseas, vômitos e diarreia —, geralmente leves a moderados e mais comuns no início. Por isso o estudo usa escalonamento gradual de dose. Efeitos de longo prazo, incluindo impacto sobre a massa muscular e a segurança cardiovascular, seguem em avaliação. Esse perfil de efeitos é semelhante ao de outros medicamentos à base de liraglutida e semaglutida.
Não. A retatrutida não possui registro na Anvisa e não está disponível para venda nem prescrição fora de estudos. Sobre a previsão: a submissão à FDA é esperada para o final de 2026, com decisão regulatória provável em 2027. Pelo calendário típico da Anvisa, a chegada ao Brasil é estimada entre 2027 e 2028 — possivelmente mais tarde.
Versões manipuladas ou "alternativas" não passam por validação de segurança e representam risco. Tanto a Anvisa quanto a FDA já alertaram contra o uso de agonistas incretínicos não aprovados.
O tratamento da obesidade e do diabetes exige acompanhamento individualizado. Antes de iniciar qualquer medicamento, consulte um médico — de preferência endocrinologista. Desde 2025, semaglutida e tirzepatida exigem retenção de receita na compra. Em caso de dúvidas, o farmacêutico da Panvel pode orientar.